Nos últimos cinco anos, o mercado fotovoltaico português atravessou uma transformação sem precedentes. O que começou por ser uma solução procurada por consumidores mais conscientes do ponto de vista ambiental, tornou-se numa decisão estratégica para as empresas e investidores que procuram reduzir os custos energéticos e aumentar a sua independência face à rede elétrica.
Esta evolução trouxe também novos desafios para os profissionais do setor. Se há alguns anos, a principal missão dos instaladores passava por demonstrar as vantagens da energia solar, hoje o interesse está na conceção de soluções cada vez mais eficientes, na integração de sistemas de armazenamento e na maximização do retorno do investimento para o cliente.
Entre 2021 e 2024, o autoconsumo em Portugal registou um dos períodos de crescimento mais acelerados da história. Segundo a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos), a potência instalada em unidades de produção para o autoconsumo aumentou, em média, 57% por ano, atingindo cerca de 1,8 GW no final de 2024. Com aproximadamente 237 mil autoconsumidores e uma participação crescente no consumo nacional de eletricidade, o setor fotovoltaico entrou definitivamente numa nova fase de maturidade.
Da adoção inicial à consolidação do autoconsumo
Nos últimos anos, o autoconsumo assumiu um papel central no desenvolvimento do mercado fotovoltaico. O que começou por ser uma solução adotada por um número reduzido de consumidores mais sensibilizados para a sustentabilidade, transformou-se numa opção cada vez mais comum para as empresas que procuram reduzir a sua dependência energética.
Este crescimento foi impulsionado por vários fatores como:
- Subida dos preços da eletricidade,
- Maior consciencialização para a eficiência energética;
- Simplificação de alguns processos regulamentares;
- Crescente competitividade da tecnologia fotovoltaica.
Cada vez mais empresas passaram a investir em sistemas fotovoltaicos para reduzir os custos operacionais e aumentar a previsibilidade das suas despesas energéticas. Esta tendência foi particularmente evidente em setores com um consumo energético elevado, onde o retorno do investimento se tornou mais atrativo.
A maturidade alcançada pelo mercado reflete-se também na forma como os projetos são atualmente encarados. Se há alguns anos o principal argumento de venda era a poupança na fatura elétrica, hoje os clientes procuram soluções mais completas relacionadas com a gestão de energia, armazenamento e mobilidade elétrica.
A evolução tecnológica elevou as expectativas dos clientes
Os módulos atuais apresentam níveis de eficiência superiores aos disponíveis há apenas alguns anos, enquanto os inversores oferecem capacidades de monitorização, diagnóstico e gestão cada vez mais avançadas.
A digitalização permitiu aos utilizadores acompanhar em tempo real a produção, o consumo e o desempenho dos seus sistemas, tornando a gestão energética mais simples e eficaz.
Hoje, os clientes não procuram apenas equipamentos de qualidade. Procuram aconselhamento técnico e soluções que garantam o melhor desempenho ao longo de toda a vida útil da instalação.
O armazenamento está a redefinir o mercado
Se o crescimento do autoconsumo marcou os últimos anos, o armazenamento energético poderá ser um dos principais motores de transformação até 2030.
A crescente adoção de baterias permite aumentar a taxa de autoconsumo, reduzir a dependência da rede e otimizar a utilização da energia produzida localmente. À medida que os custos das tecnologias de armazenamento continuam a evoluir, espera-se que a sua integração se torne cada vez mais comum em instalações residenciais e empresariais.
Os projetos deixam de ser avaliados apenas pela potência instalada e passam a ser analisados numa perspetiva mais ampla, que inclui a produção, armazenamento, consumo e gestão inteligente da energia.
O que esperar do mercado até 2030?
As perspetivas para os próximos anos continuam a ser positivas. A eletrificação da economia, o crescimento da mobilidade elétrica e a necessidade de aumentar a independência energética deverão continuar a impulsionar a procura por soluções fotovoltaicas.
O maior desafio para todos os intervenientes no sector será acompanhar esta evolução e responder a um mercado cada vez mais exigente e tecnicamente sofisticado.
